O que não nos falaram sobre ter filhos
Hoje muita coisa mudou, mas antes a maioria das meninas já cresciam com sonho de casar, vestida de noiva, ter filhos... Ah eu quero ter 2, a amiga quer ter 4, a outra quer ter 1 só...
Quem não casou grávida, planejou, após a carreira no trabalho, após curtirem a vida à dois, a tentarem à ter filhos. A gente idealiza, pensa na trajetória da gravidez, muda a alimentação, cuida da saúde, pensando somente na saúde e formação do bebê. A gente pensa nas coisas boas e a alegria toma conta desse período todo.
Não quero falar que existem coisas "ruins" como algumas mães falam que não gostou de ficar com barriga, de mudar o corpo, não sabia que seria tão difícil, ficar sem dormir, etc. Eles não nascem com um manual de instrução e cada criança é um ser único, e por isso, não tem um manual universal.
A experiência das nossas mães, contam muito, mas tem gente que não tem essa dádiva. E aí vamos aprendendo sozinhas e/ou com o nosso companheiro.
Quando chegamos do hospital temos que observar muitas coisas, quantas vezes fez xixi, cocô, dar medicações e vitaminas, se necessário. Quando engasga, o susto, o sufoco, o que fazer? Hoje, com a internet, temos muita informação de qual manobra fazer, mas antes, era mais difícil. Não nos contaram que eles querem mamadeira ou peito, de 2/2hrs, como foi no meu caso: Gêmeos. Trocar, colocar para arrotar, dormir e logo já choram de novo... Só quem é mãe, entende que o instinto maternal, o sexto sentido, realmente existe. A ligação entre mãe e filhos, vai além de um cordão umbilical. Os 9 meses em que os carregamos, ou os 7, 8, para os prematuros, a mãe sabe o comportamento deles dentro da nossa barriga. É incrível, eu que tive 2 de uma vez, que a partir do momento em que a médica falou pela posição em que estavam, que o do lado esquerdo nasceria primeiro e o do lado direito nasceria logo em seguida. E, a partir daí, eu já chamava-os pelos nomes! O gemelar 1 ficava quieto, quase nem se mexia, se eu tivesse gerando apenas um bebê, poderia achar normal, porém, como na vida de mãe de gemelares, não tem como não comparar, o gemelar 2, parecia que estava correndo um campo de futebol o dia todo. Aí eu colocava a mão em minha barriga e falava com ele, está tudo bem? E sem pressa nenhuma, ele me respondia com um leve movimento, sim, mamãe estou aqui.
E assim, foi quando resolveram sair para conhecer esse mundão, o 1 dormia, o 2 acordava e fica mexendo as perninhas no berço, como se tivesse fazendo movimento de fliperama, ora perna direita que descia, ora perna esquerda, simultaneamente.
Educar, impor limites, falar não, é a parte mais difícil mas que, se feita com persistência sem desistência, agradecerão no final. Mas com isso, somos a mãe chata. Todos os meus amigos vão, todos os meus amigos não tem limite de tempo no celular. E a velha e atual frase que eles escutam é: Você não é todo mundo.
Difícil é quando a correnteza está para o outro lado e você, mãe, sozinha, tem que remar com muita força sem parar. Claro que os adolescentes vão preferir quem não os cobra, quem não tem rotina e limites. Mas não devemos esmorecer. Com a internet, jogos e tudo mais, eles não leem mais, e sabemos que afeta não só o corpo fisicamente, postura, visão, como também o cérebro.
A mãe chata, ama, cuida, se preocupa, orienta, fala pra se trocar, para pentear o cabelo, para tomar banho e escovar os dentes. A mãe chata impõe horário pra voltarem para casa, fala que não podem sair em determinado dia. A mãe chata quer saber quem são os amigos, tanto do condomínio quanto os da escola, a mãe chata pergunta sobreo dia escolar, sobre o intervalo. A mãe vai pedir para arrumar a cama, o quarto e ajudar nas tarefas domésticas.
Tenho certeza de que um dia, eles vão falar e dar valor por esses limites, rotinas e horários. Enquanto esse dia não chega, temos que respirar e seguir as nossas convicções e nossos instintos, e continuarmos fazendo o que achamos que está certo e não o que todos fazem.
E educar é repetir, repetir e repetir. Não pode desistir. Fala sobre seus valores com seus filhos, coloque coisas para ouvir que agregam, que acrescentam na trajetória de todos nós. Pois a gente tem que estar sempre aberto a aprender, sempre tem como melhorarmos e evoluirmos! E assim seguimos...


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