Separação


 Após o trauma, a decepção, separação de corpos, o luto, o divórcio em si, a rotina muda. Nós mulheres, que antes, dividíamos tarefas, agora temos que fazer tudo, desde o supermercado que é uma coisa que não gosto), até manutenções da casa. A vida muda, mas não pense que só nós estamos em desvantagens... Eles também estão, tenham certeza disso.

Os amigos mudam. Alguns a gente dá graças à Deus... outros a gente sente, sente mesmo. Sente falta do convívio, dos encontros, das risadas. Amigos de longa data. Lembranças boas.

Quando essa saudade bate, não é do ex, que muitas vezes já superamos e estamos até construindo outra família. É a saudade do que vinha no combo, sabe? E quando isso acontece, temos que nos forçar a lembrar dos momentos ruins. Das inúmeras vezes em que dirigimos chorando. Das vezes que não fomos ouvidas. Das vezes que nos anulamos. Das vezes que fomos tratadas com violência física e/ou verbal. Das vezes que entramos na frente dos filhos, para protegê-los. Das vezes em que passamos vergonha, por ele tratar prestadores de serviço de maneira rude e grosseira. Das vezes em que pegamos conversas suspeitas no celular. Temos que lembrar de que demos a vida por esse casamento, nos privamos do trabalho, para seguir vida profissional do marido, nos dedicamos cem por cento aos filhos e a casa. Temos que lembrar que tentamos de tudo e que a culpa não é nossa. A Traição, diz somente sobre eles. Não somos loucas. Somos frágeis, e somos fortes ao mesmo tempo. Tudo passa nessa vida e o luto também passa. A mágoa, não sei se passa. A única coisa que sei, que Deus não quer o nosso sofrimento e passamos por aquilo que tínhamos que passar. Para evoluir, para aprender.

Escrevo isso, para lembrarmos sempre dos pontos negativos sim, pois a nossa mente, mente. Como o dr Augusto Cury nos fala. Não deixemos que ela minta. Vamos encarar os fatos.

Conto de fadas existe somente nos livros e filmes? Acredito que sim. A vida real pode ser sim maravilhosa, mas cheia de obstáculos e desafios. A parte mais difícil do divórcio, e foi por isso que comecei a escrever esse texto, é de ficar longe alguns dias dos filhos. E não adianta falar, como a escutei de uma pessoa que foi minha "amiga" (amiga não faz o que ela fez comigo profissionalmente, mas tudo bem): ah que delícia ficar um final de semana sozinha, sem filhos, sem preocupação, veja pelo lado bom do divórcio. Pode ter passado 3 anos, não acho bom ficar longe não. Modo de educar diferente, pai falando mal de mim pra eles. Sim, eu falava também, mas parei. Cansei de muitas coisas. Mas vejo como voltam diferentes da casa do pai. Parece que estou naquelas piscinas com fortes ondas artificiais e tento ir contra. É um cansaço. Dia após dia. Às vezes desanimo, choro... tento e sei que passo os melhores valores para eles e sei que não está sendo em vão. Mas algumas vezes, dá a sensação que as ondas passar por cima de mim e fico paralisada.

Não vamos romantizar, falar que tudo é normal, por que não é, os filhos sofrem também por não querer magoar os pais, por ter que dividir... enfim, a saúde mental tem que estar sendo cuidada dia-a-dia para não adoecermos.

Força, se você está passando por isso, procure ajuda familiar, médica e terapêutica. Cerque-se de pessoas sinceras, verdadeiras, engraçadas e acima de tudo, não perca a fé!

Fiquem com Deus.

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