Casas que carregam histórias
Hoje, mesmo sem muito tempo, precisava vir aqui escrever.
Após deixar meus filhos na escola, 6:55 da manhã, fazendo o meu caminho de sempre, veio esses pensamentos ao eu reparar nas casas ao meu redor, do bairro em direção ao centro. Casas essas que são mais antigas e que carregam memórias.
Aí imaginei, quantas gerações já devem ter passado por essas casas, o que essas paredes carregam? As plantas, os vasos, os jardins da frente e dos corredores? Casas humildes, simples, mas com um ar de acolhimento enorme.
Dá pra voltar no tempo e lembrar da casa dos meus avós, no sítio, da fumaça do fogão de lenha, do vermelhidão do chão e do chuveiro elétrico que caía bem pouca água. Do bombril na antena de tv, que meu avô assistia a Ave Maria das 18:00h todos os dias. Da comida deliciosa e pãeszinhos que minha avó fazia recheados com goiabada cascão feita por ela também. De dormir com as galinhas e acordar antes do galo cantar, rsrs.
Das férias que sempre passávamos lá e feriados prolongados. De achar ovos de Páscoa no pomar, junto com meus primos... de pescar na represa próxima e ver como se limpa os peixes, antes de comê-los no almoço, fritos com limão cravo espremido em cima. Hummm, memórias afetivas construídas com sucesso!
Essas casas antigas, carregam lembranças, boas, ruins, segredos, discussões, afetos, sacrifícios, alegrias, tristezas, fé em Deus, orações e muitas histórias para contar. Sem eletrônicos, era tv e não tv a cabo ou fibra, era rádio e vitrola... Disco de vinil. Reunião na cozinha, alguns sentados outros em pé. Leite com café e pássaros cantando. Vida simples, sem recursos, mas com muita fé e amor. Família. Conversa, silencio, tempo para ficar sem fazer nada, simplesmente nada. Coisas que agora, não sabemos mais nos permitir ficar assim.



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