Bullying, muito além de uma simples brincadeira.

 Até quando isso vai acontecer? Precisa acontecer mais tragédias para que a população tome consciência, de quanto uma palavra, uma rejeição, pode afetar a vida próximo? 

Já vimos vários casos de suicídio, de morte por espancamento, de depressão, de isolamento ainda maior, por causa do bullying. Fala-se tanto de empatia, de se colocar no lugar do próximo, mas não tem como a gente se colocar no lugar do próximo se não passamos por situação semelhante. Já vi o Guilherme Bara (deficiente visual) falando sobre isso, que empatia a gente costuma entender, como se colocar no lugar do outro, mas é uma mentira e muito consagrada como verdade. É impossível se colocar no lugar do outro. Empatia é você acolher com respeito o que o outro te diz, e o grande desafio, é sobre a referência do outro e não sobre a sua referência. Quer respeitar o outro, considere ponto de vista do outro e não o seu. 

E isso faz muito sentido, não tem como a gente se colocar no lugar dele por exemplo, sendo que a gente enxerga. Ou se colocar no lugar, daquele que não tem pernas e braços. As pessoas precisam entender e respeitar que somos muito diferentes. Pessoas com pensamentos diferentes, deficiências diferentes, raças diferentes, nacionalidades diferentes, costumes diferentes... O que seria do verde se não tivesse o azul? o que seria do rosa sem o branco? E vice-versa. Se todo mundo gostasse da mesma coisa, já imaginou como seria sem graça?

Na infância não vemos isso, pois as crianças são puras. A gente vê elas querendo brincar com aquele amiguinho que está isolado, querem ajudar, é uma fase linda! Conforme vão crescendo, chegam ao conhecimento delas, a maldade, o comportamento em "manada", onde repetem o comportamento da maioria. Eles necessitam em pertencer à um grupo e por isso, para serem aceitos, muitas vezes repetem alguns comportamentos, mesmo sem concordar com aquele ato. Adolescentes, muitas vezes, são maldosos. Ficam em determinado grupo e maltratam, falam mal, de quem não faz parte do grupo. Não quero generalizar, mas infelizmente, nós fomos adolescentes e na nossa época, o Bullying de hoje, não tinha esse nome em inglês... era tirar sarro, zoar, mas que muitas vezes magoávamos o excluído, ou o que era pego para "Cristo". Quando o outro leva na brincadeira, maravilha, mas quando percebe-se que não, temos que saber a hora de parar. Limite serve para tudo. Isso, hoje, a gente deve passar para os nossos filhos. Brincar é legal, mas se isso ofende, magoa e fere o outro, já não é uma brincadeira saudável, já vira uma ofensa, podendo ter graves consequências. 

Imaginar-se na perspectiva do outro é de suma importância. E aquela frase que não cansamos de repetir, parece um clichê, mas não sai de moda. Você gostaria que fizessem isso com você? Não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você. E temos que seguir isso, como regra e não como uma exceção.

Podemos fazer um comparativo, com o que está acontecendo no Sul do Brasil (maio/2024), precisamos doar para o outro, coisas que usaríamos e não que descartaríamos. Desapego, significa, separar peças de roupas, casacos, utensílios, roupas de cama, que temos a mais e em bom estado, para ajudar quem perdeu tudo. Diferente de doação para moradores de rua, por exemplo, não que sejam pessoas diferentes, mas devido à situação de moradia e de vida, haverão coisas que não lhes serão de grande utilidade. Meias sem pares, furadas, podemos doar para uma loja que faz campanha todo inverno,  fazendo cobertores para moradores de rua,  com essas meias sem par e/ou furadas. Dê para o outro o que você gostaria de receber: seja um presente, seja um bom dia, seja um abraço, seja uma palavra amiga. Palavras muitas vezes ferem mais que um tapa e deixam marcas terríveis. Então, vamos procurar pensar mais antes de agir, pensar mais antes de falar... o silêncio às vezes, nos salva de muitas coisas. Ouvir, compreender o próximo, é de uma sabedoria extraordinária. Temos que pensar, o que eu quero falar vai acrescentar?  Essa notícia, é verdadeira? O que vou "ganhar" falando mal dessa pessoa? O que posso fazer para não disseminar o ódio? 

Há várias maneiras de espalhar o bem! Ajudando um idoso, dando-lhe uma informação, quando percebemos que está perdido. Acompanhar um deficiente visual em um percurso perigoso. Cumprimentar as pessoas com um sorriso, mesmo que não sejamos cumprimentados de volta. Dar uma refeição à um necessitado. Não dar ênfase, quando alguém vem falar alguma fofoca, assim a outra pessoa desiste, pois vê que você não se interessa em cuidar da vida dos outros. Ouvir, se calar, aconselhar, ser um ombro amigo. Ouvir coisas boas, mensagens, textos, sobre espiritualidade, faz com que isso vá entrando em nossa mente de sempre  querer fazer o bem, não importa a quem. Coloco sempre alguma palavra positiva no caminho de ida e de volta da escola com meus filhos. Seja uma oração ou podcast sobre algum determinado assunto, que de alguma forma, vai entrar, uma porcentagem na cabecinha deles, pois educação é trabalho de repetição. Educar dá trabalho. Mas é gratificante.

Quantas crianças hoje em dia, filhos únicos ou não, têm a sua educação terceirizada. Ou os pais querem ser os amigões dos filhos e não impõe limites. Isso só estraga esses futuros adultos. O exemplo arrasta, e temos que lembrar sempre disso. Adianta a gente falar que tem que respeitar o colega, tratar bem as pessoas, se depois eles vêem o pai e/ou a mãe falando ríspido com um prestador de serviço, por exemplo? 

Tem coisas que acontecem com nossos filhos e nem sempre ficamos sabendo, diferente quando eram menores e contavam tudo, se o colega mordeu, empurrou. Na fase da adolescência, temos que ficar atentos quanto ao comportamento deles. O que fiquei chocada, foi quando meu filho me disse que precisa pagar um salgado, no intervalo da escola, para que tal "colega" lanche com ele. Inconformada com tal atitude, pois esse mesmo colega, quando precisou pegar conteúdo dado, por que tinha viajado, veio até minha casa em um domingo e pegou toda a matéria dada na semana anterior. É revoltante, tamanho interesse (no mal sentido) e  desprezo com meu filho. Talvez, os pais não saibam. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas quando a gente se sente usado, é um sentimento tão ruim. E mãe vendo um filho passar por isso, sente
a mesma dor.

É necessário ter Valores! Esses valores não tem um custo. Esses valores são passados de geração para geração. Honestidade, Dignidade, Respeito, Empatia, Compaixão, Acolhimento. O que é certo, é certo mesmo que todos estejam vendo. O que é errado, continua sendo errado, mesmo que ninguém esteja vendo. 






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